Equilíbrio!

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Equilíbrio é entender que precisam pelo menos duas forças para que exista um meio termo. É entender que a rotina existe para que um dia fujamos dela, em uma festa, com amigos, quando há roupa para lavar contas a pagar. Equilíbrio é estar em paz com aquilo que se tem sem esquecer de desejar sempre mais coisas possíveis. Claro que para ser verdadeiramente equilíbrio, precisa que haja o impossível! Só que esse não se precisa desejar pra sempre, só as vezes, pra variar. Para que seja verdadeiro, é preciso perder a paciência, é preciso mostrar aos outros que você é legal, mas não idiota. É preciso dar uns sopapos na cara de quem te magoa, por que esse sim está desequilibrado por invadir teu espaço, te desrespeitar, e convenhamos, tem gente que só aprende do pior jeito. Então, equilíbrio é a força que te dá a compreensão de que o mundo tem um eixo, que lá você pode estar sem abalar suas estruturas, sem duvidar da calmaria. E pra ter certeza – e dar valor – a esse estado místico de paciência, sabedoria e neutralidade, precisamos experimentar os outros extremos como a impaciência, a incoerência e a revolução. Caso contrário não teríamos parâmetro algum de comparação para saber quando realmente a paz batesse a porta, pra ficar.

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Competir, sim!

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Se eu tivesse escolhido competir com alguém, com certeza seria alguma das meninas que vive achando que sabe ser o que não é. Seria covardia, sei disso, mas pelo menos, ganharia sempre, sem dúvidas, sem problemas e com horas sobrando para dormir. No entanto, escolhi uma rival crudelíssima, carrasca até não poder mais. Uma mulher, ainda meio infantil, que me cutuca o tempo todo, que me enlouquece com tantas paranoias, com tantos medos e inseguranças: ela jura que eu não sei fazer. Essa louca me atazana, me cobra horrores. Vem com aquele papo brabo de: “se você é capaz de um 10, por que aceita um 8?”. Respondo que estava com preguiça, que fiz o melhor para aquilo, que não achei material. Ela nunca se contenta. Sempre diz: “podia ter pesquisado mais, mais, mais, mais”. Fecho os olhos, ela vem. Abro, ela continua ali, na mesinha, sentada, em cima das pilhas intermináveis de folhas, livros e resumos que só ela consegue fazer, pois são caprichados e completos demais. Tudo nela é demais. Adversária pior não poderia ter! E quando me perguntam com quem disputo tanto, tenho que responder com um pouco de orgulho, afinal, ela me sufoca, mas me ensina, que estou sempre atrás do que sou e do que posso ser. Nem mais, nem menos.

Músicas (sempre!)

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SÚPLICA
(José marcílio-Otávio Gabus Mendes-Déo)

Aço frio de um punhal foi teu adeus pra mim…
Não crendo na verdade, implorei, pedi…
As súplicas morreram sem eco, em vão,
batendo nas paredes frias do apartamento…


Torpor tomou-me todo e eu fiquei sem ser mais nada,
adormecido tenha, talvez, quem sabe?
Pela janela aberta, a fria madrugada
amorteceu-me a dor com o manto da garoa…

Esperança – morreste muito cedo…
Saudade – cedo demais chegaste…
Uma quando parte, a outra sempre chega…
Chorar? Já lágrimas não tenho!
Coração, por que é que tu não paras?
A taça do meu sofrer findaste!
É inútil prosseguir, se forças já não tenho,
tu sabes bem que eras minha vida,
meu doce e grande amor!

A culpa

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Queria tanto me libertar. Não posso. A culpa me ata de todas as formas, em todas as formas que ela sabe prender. Queria uma leveza que jamais tive, ou terei. Aprendi a viver de densidades, de abismos e superações, e quando tudo está calmo, eu cometo suicídio. Só sangrando caminho novamente. Só sangrando sei ser feliz. O que a vida fez comigo? Aliás, o que eu fiz da vida para que ela fizesse de mim tanta poesia e drama? Não sei, acho que nunca há de existir uma explicação. Tem coisas que ninguém nos instrui, ou descomplica. Trago marcas descenessárias, marcas de alguém que definitivamente não sabe levar a vida. Caio quando não precisava, levanto e sigo quando precisava de pausas. Sempre errando no momento errado, sem chance de reverter. Para mim, muito pouco é irreversível. Talvez ela tivesse razão quando dizia: “o mundo não gira em ti, pra ti”, mas que exemplo me dava se o mundo era ela? Queria ter visto menos complicações, complexidades. Ando com medo de não saber ser simplesmente feliz. Na verdade, eu ainda não tive um bom exemplo de felicidade. Ou já tive e por não saber reconhecê-lo deixei que passasse? Preciso de férias de mim.

“O meu desafio é andar sozinho […]

e não olhar pra traz.”