O silêncio de Lilith

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A vida é engraçada, penso nas escolhas que fiz ao longo do caminho e revejo com alegria e vergonha muitos dos meus atos. Magoei pessoas que não mereceram, fui magoada tantas quanto magoei e ainda não aprendi direito a como não machucar. Brinquei com sentimentos alheios, disse impensados “eu te amo” e fiz promessas que lá no fundo sabia não ser capaz de cumprir, embora quisesse. Fui a lugares que não podia pra minha idade, pra vida que eu tinha. Conheci pessoas que jamais deveria ter se quer dito oi e outras que nem imaginava ter o privilégio de dividir um tempo, quiçá, uma amizade. Jurei não cometer os mesmos erros e menti pra mim mesma. Já menti também pra quem amava por diversas razões: evitar desconforto, brigas, ou até mesmo por medo de dizer a verdade. Imaginei algumas vezes como teria sido se eu tivesse sido a filha na maior parte do tempo e me vejo como algo entre emo e/ou gótica. Péssimo. Em dadas vezes contei a verdade, assim, nua e crua e o mais estranho, normalmente não acreditam em mim. É como se o fato de eu dizer: “eu não presto” fosse ainda mais interessante, ainda mais instigante. Já fui capaz de trair a mim, aos outros, a uma só pessoa e não tenho orgulho algum em confessar, no entanto, faz parte desta limpeza que precisa ser feita. Namorei muito. Muito mesmo. E destas tantas me arrependo de pouquíssimas, normalmente, as regadas a álcool. Agi quase todas as vezes na vida por impulso, por isso aprendi a calcular previamente as possíveis saídas para as encruzilhadas que me meto. Já que não posso mudar minha essência, posso ao menos aprender a conviver com ela. Sinto falta do meu pai biológico uma vez ao ano. Nem mais, nem menos. Do meu padrasto, sinto mais de duas vezes por semana. Ainda descubro que sou filha dele de verdade. Um dia, quem sabe. Aprendo mais em situações de risco do que na calmaria, constatei nessas tantas que tenho uma dificuldade enorme em ser feliz, por incrível que pareça, entedia. Sou densa, logicamente, pelos traumas e por opção. Tenho um medo enorme de cair na superficialidade. Gosto de dias quentes, mas não torrantes e terminante odeiam frio. Perco a paciência com um piscar de olhos e sou a pessoa mais ingenuamente direta que pode ter. Não pergunte, eu respondo. Pareço absurda e tremendamente antipática, mas é fachada, juro. Sei que muitas vezes transmito impressões erradas como querer me esforçar em um trabalho de aula e parecer discrepante do resto do grupo. Fail. Tenho uma veia nerd que gostaria de ser normal e não consegue. Assisto animes, jogo RPG, prefiro ficar em casa do que balada até amanhecer. Acho que é meu lado gordo. Sonho todos os dias em ser magra e não faço absolutamente nada para que isso aconteça, então, não reclamo mais. Danço por que me sinto viva, inteira, liberta e ilesa aos males do mundo. Na verdade, não tenho a mínima idéia se tenho talento ou não. Canto como um papagaio velho e já tive uma banda de rock, aliás, duas. Acreditem, tem pessoas maravilhosas que já tentaram me ensinar a cantar. Amém. Merecem o céu. Já fiz tanta gente chorar que tenho medo do quanto posso ser cruel quando machucada. As vezes me sinto tão primitiva, tão inadequada para este mundo. Enfim, não é um privilégio meu ser um alien, pelo contrário, estou realmente no lugar errado. Agi por vingança, desisti de grandes amores por vaidade e preguiça. Já usei das palavras pra convencer que estava certa, ainda que redondamente errada. Briguei com minha cachorrinha por eu estar cansada, com meu namorado por ele não ter feito nada e comigo mesma por descontar nos outros as minhas frustrações. Talvez tudo isso não diga nada, não prove nada, até por que não é um post voltado para alguém. É meu, comigo. Precisava dizer. Alguns fantasmas só são exorcizados quando dizemos o seu nome alto, forte. No meu caso: Lilith.

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