A hora e o fruto…

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Lá estava eu, ao pé da árvore. O fruto vermelhinho, acordando, aconchegado ao galho e as plantas, parecia nem me perceber. Todo dia, religiosamente, eu o visitava. Parecia que nunca ouviria de minha mãe a frase “pegue, está maduro”. Passaram-se dias de sol e dias de chuva. Até que desisti de esperar. Desisti de observá-lo. Percebi que de nada meu olhar afoito influenciaria no seu crescimento. E se tentasse antes do tempo, teria de fechar os olhos, enojada com a acidez. Eu tinha medo de tudo quase. O os insetos? As chuvas torrenciais? E se meu fruto caísse da árvore e se machucasse? E se apodrecesse sem meus cuidados? Eram muitas perguntas, nenhuma resposta. Estava nas mãos do destino, do acaso, da sorte ou sei lá o quê.

Depois de semanas, distraída olhava as flores no jardim. Chegara de fato a primavera e seus ipês floridos. Tudo lindo e com um vigor contagiante. Era como se a vida voltasse, na verdade, era realmente a vida voltando a tona. Estava perdida em tantos detalhes, cores, sons, quando olhei para àquela árvore, majestosa como uma mulher grávida. Corri para perto, e lá estava o meu fruto vermelho. De nada lembrava a pequena bolinha de gude que a tempos mal fazia pender o galho. Era robusta, de um vermelho fosco, de peso considerável. Incrédula, aproximei o galho, e quando fui estender a mão para tocar a fruta, ela soltou-se do galho e pousou preguiçosamente em meus dedos. Ri, satisfeita, finalmente entendi o que chamam de “hora certa”.

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