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O Prazer Ateu

Embasada na assertiva “a motivação está sempre associada ao prazer”, retirada da Revista Veja de maio de 2002, inicio esta resenha corroborando com essa afirmativa. Os prazeres sempre moveram o mundo. Ainda que as tomadas de decisões sejam justificadas racionalmente com motivos como sustento ou conhecimento, por detrás desses argumentos socialmente aceitos está a verdade a respeito disso: a escolha. Escolha essa associada intrinsecamente aos prazeres gerados por ela. Um indivíduo interessado em constituir família, acordará diariamente satisfeito com o fato de trabalhar, não pela tarefa em si, mas pela compensação econômica que a atividade tratá e, consequentemente, pelo deleite de se sentir parte do caminho o qual optou e poder arcar com os seus deveres.

A razão para que os indivíduos não admitam publicamente sua necessidade de compensações para toda e qualquer atividade que possam vir a exercer é o medo e a culpa internalizados a partir das instituições norteadoras de comportamento social, como a Igreja. Os pecados nada mais são que conceitos limitadores de ações potencialmente prejudiciais a sociedade. Por exemplo, um homem temente a Deus, pode não cobiçar a mulher do seu amigo ou mesmo não roubar o dinheiro que precisa para alimentar os filhos por sentir que está desobedecendo ordens vindas de uma entidade muito maior do que ele próprio pode compreender. E o castigo? A eternidade no inferno. Naturalmente, os seres humanos projetam a responsabilidade de suas escolhas nos outros, evitando assim a chamada culpa pelos atos. O que não pressupõe que esse mesmo homem não tenha desejo pela mulher em questão, ou pense vez que outra em embolsar o dinheiro do chefe. Nesse caso, o medo limita o prazer, a ousadia e a criatividade, pois o individuo que não acredita nos conceitos religiosos, familiares ou qualquer que seja a natureza castradora de suas crenças passa a não ter receio de tentar buscar o que realmente quer.

O prazer, lícito ou não, público ou de cunho privado, é o que torna o homem capaz de enfrentar grandes desafios sem titubear, ainda que esse contentamento seja infinitamente pessoal, como um assistir ao por de sol com um bom vinho. Para cada um a compensação se configura de uma forma, mas é preciso notar que para cada ação há uma motivação e consequentemente, um prazer associado.

No mundo dos negócios não é diferente, os empresários que trabalham com os desejos tem vastas possibilidades de atingir lucros extremados. Sílvio Santos, por exemplo, mantém no SBT a transmissão do “Topa tudo por dinheiro”, um programa de auditório que funciona como uma troca, os participantes fazem tarefas e ganham dinheiro se bem sucedidos. As pessoas colocam o valor material, muitas vezes a frente dos seus princípios, pois diversas provas do programa são humilhantes, inclusive, a postura sarcástica do apresentador. “Topa tudo por dinheiro”, assim como tantos outros menos explícitos, são maneiras de barganhar a dignidade dos indivíduos. E por que há então público para esse tipo de comportamento? Novamente volta-se ao ponto inicial: o prazer, pois não importa o que seja preciso fazer para alcançar o objetivo desejado, desde que esse remeta a sensação inigualável de bem estar e paz, sentimentos gerados pelo dever cumprido.

Indústrias como a da beleza, de vestimentas, de móveis, de culinária, e por que não a de pornografia, ainda que em instancias distintas, lidam com os “pecados” admitidos até um determinado ponto e valem-se do prazer que proporcionam. Comer um bom prato, caro, em uma ocasião especial, não é errado, mas ingerir mais do que necessita para a sobrevivência o é. Ou seja, a intensidade faz o pecado, não a ação em si. O empresariado tem o feeling sobre o que será preciso ou desejado, e investindo nesse ponto ele obterá exito na maioria das vezes, salvo casos de empresas que vão a falência por outros motivos que não o produto.

Concluindo, o prazer gera motivação, não importando a natureza dessa compensação, pois ela pode ser financeira, afetiva, entre outras. A busca torna-se mais gratificante quando há o que esperar no fim da trajetória.

[Resenha Crítica apresentada na aula de Teoria das Organizações]

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