Texto copiado do meu Flog

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Ontem estava assistindo ao filme da Brittany Murphy – outro anjo precoce – e o cenário era o Japão. Quase surtei de saudade de Brasília, ainda mais pela crise que estou passando. Vários japoneses, falando japonês, usando expressões como “Kawai” e “Kombawa” – tipo raro para um filme americano, onde normalmente TODOS falam inglês fluentemente mesmo que não seja nem de longe a língua nativa do país. Voltando ao filme, tive vários lapsos de consciência observando aquela garota desastrada, em um lugar diferente do seu, muito acostumada a nunca batalhar pelas coisas que quer. Identificação instantânea. Nunca terminei nada na vida e ao completar 20 anos tive a maior e mais duradoura crise de tristeza aguda: notei que não havia conquistado nada meu. Normalmente, com essa idade algumas pessoas já tem casa, carro, tão formadas, ou tem uma família. Quem vos fala aqui não tinha nada, nem objetivos. Nessas tantas, conheci pessoas de todos os tipos na minha estrada, inclusive, duas delas me salvaram do mar de coisa nenhuma que eu estava quando me disseram: tu é capaz. É incrível, mas precisei de outras pessoas para acreditar em mim mesma. Estudei meio incrédula, fiz o vestibular sem saber direito que raios fazia um Relações Públicas e sem ter noção de onde era a cidade que eu moraria, caso acontecesse de passar. E sabe, aconteceu. No impulso mais louco, sorte ter uma essência tão cigana – agendei a casa por telefone e coloquei sozinha minhas malas no ônibus. Achava-me o cúmulo da coragem. No início, como tudo, as coisas aqui iam de vento em popa, tudo lindo. Agora, já quase um ano depois, fui conhecendo as pessoas que me rodeiam, os lugares, os hábitos e falta perene do que fazer.Resultado: procurei outra faculdade para pedir transferência. Tinha bons motivos, minhas amigas vão embora final do ano, namorado também, não tenho móveis e o que fazer com o contrato de aluguel de dois anos? Então, decidida, olhei tooodas as facul/universidades que aceitam aluno por transferência interna.Não achei, lógico. No entanto, era esse o plano. O que que isso tem a ver com o filme? Pois é, entra bem agora. Tem uma cena em que ela está trabalhando no emprego que escolheu e que apesar de não ser o ideal, foi ela quem quis assim. Então, por “maus” tratos do dono do restaurante, ela chuta tudo e vai embora dizendo que não quer mais trabalhar. O senhor, um japa beeeeeeem no estilo tradicional, diz a única palavra em inglês que sabe: “LIMPE”. A moça, como não entende nada, chora e vai pra casa. Ao chegar, percebe a bagunça que está sua vida, a sujeira do passado atirada por todos os cantos. Dia seguinte, ela volta ao restaurante e diz em japonês que o ÚNICO motivo para querer ficar em Tokyo seria aprender a fazer Ramen, ensinado pelo senhor. Moral da história: ela percebeu que nunca terminava nada na vida por que vinculava sua história na de outras pessoas sempre. Acontece comigo o tempo todo. Essa minha saudade da vida que sempre tive, dos tempos bons, as vezes me impede de caminhar. A única forma de eu mostrar que cresci é permanecendo aqui para ver como acaba. Se estou feliz com isso? Não sei, mas acho que a vida é assim mesmo. Tenho poucas certezas e uma delas é que acima de tudo quero ser uma RELAÇÕES PÚBLICAS, vou batalhar por isso.Sei que virão bons frutos, é a minha cara, parece que fizeram essa profissão pensando em todas as minhas contradições, qualidades, defeitos, ímpetos.Outra dessas é que vou voltar pra Brasília. Quando? Como? Não sei bem dizer, mas os filhos que vão ser meus serão criados em solo candango, porque eu não amei mais uma terra como amei esta vermelha do planalto central. Ainda vou conhecer a Maria Bethânia e tocar na mão dela e chorar muito, que nem criança, por ser amor antigo. Vou fazer ritual no parque da cidade e vou ser uma mãe TODA tattooada. Além de tudo isso, vou ser feliz.

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