Caos intelectual.

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Estou tentando me descrever e não consigo. Realmente, faltar-me palavras é uma novidade desagradável; sempre tenho tanto o que dizer. Neste momento, sobre mim, não há nada. Sou uma pessoa mediana. Não tenho aptidão pra matemática e ainda não faço a menor idéia de como funcionam as novas regras do português. Tenho vários conhecidos e pouquíssimos amigos, dos quais sinto saudade do brilho que eles tem, e eu não. Acredito não ter sido capaz de conquistar ninguém na vida, de fato. As pessoas que me rodeiam parece que fazem por obrigação e normalmente me sinto péssima com isso. Alguns dos motivos eu sei, como falar demais, ser direta demais, ser inconstante demais, mas outros – se é que precisa – não tenho a mínima idéia. Eu sou tão cansativa. Tão paranóica. Tão neurótica. A principio, essa loucura toda parece uma excelente companhia, depois passa, a normalidade sempre vence. E o céu sabe como eu queria ser normal. Ou mais bonitinha, como diria a Carol. O problema é não poder mudar a cara, o corpo, as atitudes, os valores, enfim, o todo mesmo. É difícil conviver assim, não aceitando aquilo que diariamente o espelho mostra. Cansa, sabe? Já tentei acreditar em Deus, mas ele me deixa profundamente deprimida. Por que raios me fez assim? Baita lição que quis me dar quando me fez torta, feia e gorda. É revoltante acreditar em algo superior que fez uma cagada dessas. Enveredei também para o álcool, é bom, funciona, momentaneamente. O problema é descobrir que uma garrafa de vodca é mais calórica que duas pizzas, ai gorda e alcoólatra, ninguém merece. Tentei fingir também que tá tudo bem, que é normal ser feia, anormal mesmo é ser perfeita. Jura que isso ia funcionar né? Tenho cada idéia de gerico. Dá certo até eu olhar as fotografias, ai ferra tudo. Nada como um banho gostosinho de água fria da realidade. Antidepressivo?Não, gente, eu estou triste, não deprimida. Os remédios funcionam, temporariamente. Até você perceber que não tem mais vida sexual, não lembra das coisas que faz e que não sente mais nada, nem alegria, nem tristeza. Viver nesse limbo também não faz meu gênero. Ai fico assim, chorosa, sacal, mau humorada. Meu namorado vai pro céu sem escala, já parece um anjinho, mas me aturar a longo prazo é passagem garantida pra santidade. Hoje eu resolvi não comer. Bem coisa de adolescente, apesar de eu estar beirando meus 22, não meus 14. Ainda assim, me perdôo, estava desesperada. Não tenho dinheiro, nem ânimo, nem tempo pra academia, não necessariamente nessa mesma ordem. E graças, estou entrando em férias, se nada deu errado até então. Ai pagar um mês para não fazer, é dose. Exercício é legal, tonifica, faz bem pra pele, dizem que deixa feliz, eu acredito, mas não quero. A cara é sempre a mesma. O máximo que vou conseguir é destruir essas indesejáveis gorduras e lamentar meu rosto. Bem que podia ter rolado uns traços mais delicados, uma boquinha mais bonita, um conjunto menos duro. Acho que meu rosto assusta, pareço sempre mau humorada. E juro, não é sempre. Consigo ser uma boa amiga, uma anfitriã organizada, psicologicamente, fora a loucura perene, nem sou tão ruim, se não levarmos em conta as imensas besteiras que fiz na vida. Todas racionalmente justificadas e perdoadas por mim mesma, mas acho que se Deus entrasse nessa conta, eu tava ferrada: inferno na certa. Deve estar nesse âmbito minha explicação para a falta de beleza inerente, vou pro inferno. Existe uma religião, não quero citar nomes por que não é o assunto principal, sou eu – narcisismo fictício, não se preocupem -, que fala sobre predestinação absoluta, resumindo: se você tem grana, é uma gata, tem vários amigos, Deus gosta de você e consequentemente, tem vaguinha no céu te esperando; contudo, caso você só se ferre, não tenha um puto tostão, seja meia boca, ou pra lá de feio, é meu amigo, o capeta te espera. Acho que encontrei minha religião. E por consequência, devo entrar no conformismo e tentar não ficar fazendo tanta merda, já que a vaga ao lado esquerdo do Belzebu tá garantida. O que será que a vida reserva pra alguém como eu?

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