Suicídio

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Acordei nauseada, meus medos estão entalados na garganta.Estou sufocada pelas palavras não ditas. Quando foi que aprendi a calar? Antes, sempre tão expansiva, explosiva, corrosiva, não importava a quem as palavras iriam, ou como seriam recebidas ou interpretadas, simplesmente deixava que de mim saíssem, contudo hoje, elas não me querem abandonar. Estão arraigadas no meu estômago, no meu peito e coração. Por nada vão sair, ou me deixar em paz. O que faço? Talvez seja esse um sinal de que ainda estão verdes demais para serem soltas sem rumo certo. Compreendo-as, no entanto, o que faço com esse peso em mim até que maduras, elas sigam pra longe? Não sei. O mundo gira. Nem uma dose de absinto me faria tão fora de mim. Não me encontro.Essa sensação não quer passar. Fico agoniada com as coisas que desconheço, elas são meu mistério pessoal, minha tragédia grega. Não há como acabar bem. Voltando ao não dito que me sufoca, estou morrendo por dentro. As palavras presas se tornaram um veneno doce, findando meus dias lentamente. Chega a ser irônico. Quando perguntarem de que morri, dirão: “de silêncio. Uma dose tão fatal que exterminou inteiramente o sopro de vida daquela menina de olhos tão vivos.” Minha luz está pouco a pouco se apagando.A essência que carrego nunca permitiu que eu me calasse.Desconheço o que acontece nesse momento, mas não consigo evitar: não libertarei as meninas que matam, pois delas preciso mais do que elas a mim. Deixa estar. Quando todas as palavras consumirem meu último fio de vida e ainda antes de partir, vou sorrir uma última e infinita vez: ninguém saberá o que calei.

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